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A utlização de recursos metodológicos no processo de ensino e aprendizagem da matemática

A interdisciplinaridade tem representado um salto qualitativo nas práticas pedagógicas da educação formal, motivo pelo qual ela surge em destaque nas recomendações do Planos Curriculares Nacionais para o ensino em todo o Brasil. Dois bons motivos justificam a práxis da interdisciplinaridade:

1 – a potencialização dos processos de ensino-aprendizagem por meio da conexão entre saberes que se somam e complementam não em volume bibliotecário, ou seja, não em quantidade de informações acumuladas, mas sim sob o aspecto qualitativo quando olhamos para a cultura, para a aquisição e apreensão de novos saberes, como meio e fim da melhoria da qualidade de vida, portanto, para alavancar graus de consciência e prática cidadã em sociedades – o saber para viver;

2 – o acompanhamento dos avanços tecnológicos cada vez mais rápidos, de modo que o ensino possa fazer uso de novas ferramentas no cotidiano da educação formal, visando explorar a teia de conhecimentos – antigos e novos – que conecta saberes de todos os campos da atuação humana.

Para fazer bom uso do ferramental tecnológico disponível na contemporaneidade, temos de nos preocupar com o pensamento lógico-tecnológico das comunicações do mundo atual. Pensamento que define a interdisciplinaridade como um tipo de reflexão e hábito atitudional implícito a ele, por ser a interdisciplinaridade decorrente das quedas de barreiras e distâncias que geograficamente separam países e culturas. Do mesmo modo, o pensamento lógico-tecnológico das comunicações tem derrubado fronteiras entre saberes e, consequemente, entre disciplinas de currículos escolares, sendo que em muitos casos esse procedimento ocorre de maneira involuntária, bastando que, para isso, um educador ou um educando recorra, em suas pesquisas, aos milhões de links que lhe são ofertados pela web ao estudar determinado tema, os quais abarcarão inúmeros campos dos conhecimento em associação a esse tema, inclusive das novas investigações em curso, ainda não concluídas, sobre ele.

Nesse contexto, é com naturalidade que podemos refletir sobre novas possibilidades com propósitos educativos no ensino da Matemática, principalmente na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, etapas da educação formal nas quais as crianças são movidas pela curiosidade e pela vontade de explorar todas as facetas do mundo às quais estão tendo acesso além das fronteiras de seus lares. Levar essas crianças para as práticas de ensino do século XX, nesse trânsito de desenvolvimento entre espaços familiar, social e educacional, seria um contrassenso, ou até mesmo uma atitude constrangedora, afinal, não podemos negar aos cidadãos do século XXI os direitos e conquistas do século XXI que democraticamente lhes pertence.

Na Matemática, “as novas possibilidades educativas apresentam diversas formas de trabalho que integram várias metodologias de conteúdos”, segundo MUNHOZ (2013, p.173), citando o pedagogo seis recursos essenciais para a disciplina: “jogo, informática, modelagem matemática, etnomatemática, resolução de problemas, história da matemática” (Idem, ibidem).

Os jogos, assim como as brincadeiras, são essenciais para criar contextos de “integração, cooperação, competição, socialização, concentração e estimulação do ludismo” (Idem, p. 174). É notório, de acordo com experiências empíricas de professores que produziram relatos a respeito, como MUNHOZ, que os jogos estimulam o aprendizado da Matemática, dentre eles um simples Jogo da Amarelinha, uma Batalha Naval, um Bingo, ou até mesmo um jogo de situação problematizadora mais complexa, que atenda ao planejamanto curricular elaborado para determinado grupo de alunos em correspondência às suas etapas de desenvolvimento, como, por exemplo, as partidas de Xadrez, que, além do pensamento aritmético, exigem raciocínio lógico-estratégico e probabilístico.

Outro recurso, a informática requer cuidados para que o foco da sequência didática da atividade não se perca, motivo pelo qual o professor deve redobrar esforços para que a atenção dos alunos não se esvaia sob sua orientação. Recentemente, presenciei, como estagiária, uma aula de Geografia do ciclo intermediário do Ensino Fundamental na qual a educadora empregou o recurso, concedendo acesso a computadores de mesa a todos os alunos de uma turma de 4º Ano de EF, durante uma pesquisa sobre o Canadá. Todavia, boa parte dos alunos desviou sua atenção da atividade proposta, passando a assistir a vídeos de seu interesse no YouTube, enquanto outros acessaram seus joguinhos preferidos de entretenimento. Sobre o planejamento da atividade, afirma MUNHOZ (2103, p.181):

A metologia do ensino da Matemática utilizando a informática deve ser criteriosa. O educador jamais deve utilizar esse recurso sem a relação entre planejamento e conteúdo didáticos.

Enveredando ainda mais pelo caminho da interdisciplinaridade, outro recurso metodológico importante para as aulas de Matemática é a modelagem matemática, a qual proporciona incursões por campos diversos do universo artístico (escultura, pintura, maquetes, instalações, artesanato etc.), assim como o trabalho com o tema da sustentabilidade, conforme apontadado por MUNHOZ (2013, p. 182). Criando com botões, latinhas, palitos, bolinhas, dentre outros elementos, “alunos podem estruturar conceitos matemáticos” (Idem, ibidem), e no caso dos anos mais avançados do Ensino Fundamental, eles podem desenvolver conceitos mais aprofundados de Geometria Plana e Espacial, por exemplo, por meio de construção de maquetes e idealização de instalações artísticas.

A etnomatemática contribui para a interdisciplinaridade com os saberes das áreas de Ciências e História, dentre outros, simultaneamente conectados com os saberes já adquiridos anteriormente pelos alunos em outros espaços de socialização, bem como no espaço familiar. Esse conhecimento prévio dos alunos, rico em ofertas de base para transposições didáticas a serem elaboradas pelos educadores ao colherem informações das experiências de vida dos educandos, reforça a utilidade prática do que está sendo aprendido em espaço de educação formal, com o intuito de melhorar a qualidade de vida das pessoas de modo geral. Em paralelo, a etonomatemática também é um estímulo à aceitação, ao respeito e à admiração da diversidade cultural, na medida em que propicia o estudo de aspectos socioculturais e econômicos de “grupos sociais ditos difierentes, de forma que se possa explorar a matemática em suas relações” (Idem, pp. 184-185), como no caso das características das comunidades indígenas, por exemplo, e seus meios de subsistência.

Sem a atitude investigativa, o que seria da Matemática? Todos os recursos citados anteriormente requerem um comportamento investigativo por parte de docentes e discentes, assim como acontece na resolução de problemas, recurso fundamental para aulas na disciplina, pois é chave-mestra para desenvolvimento de raciocínio, reflexões sobre a lógica e pensamentos dedutivos e indutivos. Exemplo: quantos copos de água um ser humano adulto precisa tomar por dia?

Analisando a eficácia da resolução de problemas como recurso em Matemática de modo abrangente, somos induzidos a refletir sobre momentos da história das civilizações nos quais indivíduos foram confrontados com problemas de sobrevivênvia e subsistência que deram origem ao surgimento dos números, da aritmética, aos avanços nos processos mentais básicos do pensamento lógico-matemático (correspondência, comparação, classificação, sequenciação, conservação, inclusão, e seriação). Sob essa linha contextual, é imprescindível aos alunos saberem que os números acompanham os homens desde tempos remotos, auxiliando-os a contar a criação de animais, quantificar a produção agrícola, planejar produções artesanais, organizar suas finanças etc.

Em síntese, adotar a história da Matemática também como um recurso didático, além de gerar inspiração para atitudes diante da resolução de problemas, torna a aprendizagem mais significativa, promovendo o equilíbrio entre as abstrações matemáticas e as situações concretas nas quais sua presença foi e é exigida para facultar o atendimento de necessidades da humanidade em diferentes períodos históricos – e por toda eternidade, em exercício de seu papel transformador, seja para construir pontes, seja para destruir muros, principalmente pontes e muros ideológicos.

Referências bibliográficas

CUNHA, Anna Clotilde Zimmer de Cerqueira Cezar da. Matemática: Conteúdo e Metodologias de Ensino. Aulas 01 a 08. São Paulo: Centro Universitário Senac, 2017.

MUNHOZ, Maurício de Oliveira. Propostas metodológicas para o ensino de matemática. Curitiba: InterSaberes, 2013.

FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Interdisciplinaridade e Transdiciplinaridade na Formação de Professores. In: Revista do Centro de Educação e Letras da UNIOESTE – Campos de Foz de Iguaçu. V. 10, nº 1, 1º semestre de 2008.

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