Renard Aron lança livro sobre lobby digital, editado pela Aberje

Mostrar como atividade de intervir nos debates de políticas públicas está disponível para qualquer pessoa por meio dos canais virtuais é o objetivo principal do livro Lobby Digital – Como o cidadão conectado influencia as decisões do governo e das empresas. Editada pela Aberje, a publicação destaca ainda de que forma as plataformas e as redes sociais conseguem contribuir na repercussão dessas discussões de interesse da sociedade. Aborda também a triste realidade de como esse tema quase sempre chega à população sob a ótica da corrupção.

Escrito pelo consultor, palestrante e especialista em relações com governo Renard Aron, o livro também traz sua experiência profissional de 25 anos em public affairs e de cidadania corporativa no Brasil e no exterior, sobretudo, em grandes multinacionais e entidades de classe. Elaborado em uma linguagem bastante acessível, a publicação é uma das poucas em português sobre o assunto. Seu conteúdo se aprofunda em dados técnicos inéditos quando aplicado justamente ao lobby.

Lançado no final de agosto em live organizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) no Youtube, Lobby Digital traz ao público alguns casos vivenciados nos Estados Unidos e dentro do País.

“Com isso espero desmistificar o lobby, mostrar que ele está aberto a todos e estamos entrando numa nova fase em que o debate sobre políticas públicas está se tornando público”, explica o autor, em comunicado à imprensa.

A publicação já está disponível ao público em geral somente em formato e-book. Com 248 páginas, o livro pode ser adquirido no site da Amazon. Para o professor titular da ECA-USP e diretor-presidente da Aberje, Paulo Nassar, o livro traz uma interpretação diferente sobre o assunto.

“Esta nova abordagem para o lobby, mais participativa, efetiva e ágil, está em consonância com a realidade deste mundo em que ‘tudo que é sólido desmancha no ar’. Um livro essencial para os tempos atuais”, enfatiza Nassar.

A ideia de escrever o livro surgiu quando ainda Renar Aron trabalhava na Johnson & Johnson. Naquela ocasião, ele se deu conta que a função de relações governamentais precisava incorporar novas ferramentas e know-how. A partir daí, o autor começou a estudar o que acontecia no segmento em outros países, a acompanhar tendências e a ler tudo disponível para ajudar a entender a difusão de ideias na internet.

“Passei a escrever durante os finais de semana e depois o projeto virou full-time quando me mudei para São Francisco”, revive. Renard completa ainda que três fatores o levaram a produzir um livro sobre lobby. “Primeiro, o fato de existirem poucos livros sobre o tema escritos em português. Segundo, a triste realidade de que o lobby quase sempre é abordado pela lente da corrupção e terceiro, a crescente importância do lobby digital no Brasil e no mundo”, esclarece Aron.

Conceito de lobby digital

Na publicação, o autor ressalta que lobby digital é qualquer ação para influenciar uma política pública através de plataformas e mídias sociais digitais, como Youtube, Instagram ou Facebook. De acordo com ele, isso pode ser uma petição online, ou um vídeo de uma celebridade ou influenciador, ou uma live com um deputado, uma campanha ou um tweet com uma chamada à ação.

Na avaliação de Renard Aron, o lobby digital obedece uma lógica diferente. Sua força está nos números, nas centenas, milhares ou milhões de pessoas que se dispõem a defender uma causa, seja de cunho social ou econômico.

“Diferente das reuniões cara a cara, o lobby digital apresenta uma dinâmica própria, com princípios que estão mais para marketing ao invés de argumentos técnicos”, analisa Aron.

Para o autor, o lobby digital começou há 10 anos e tem ganhado espaço cada vez maior. Hoje, uma organização que não está preparada para abraçar esse conceito corre o risco de ser surpreendida e perder o embate.

“As reuniões em Brasília não perderam sua importância, mas agora não tem mais um monopólio. Mesmo que um deputado ou senador concorde com a sua perspectiva, ele pode não resistir a uma enxurrada de posts no Facebook, ataques no Twitter e telefonemas ao gabinete. Para eles a opinião da sociedade conta”, justifica.

Fim do sinônimo de corrupção

A publicação ressalta ainda que esse novo conceito ajudará a acabar com a percepção de que lobby é sinônimo de corrupção. “Quem criou uma petição online, as pessoas que assinaram isso para forçar a retirada de uma MP (Medida Provisória) da agenda do Congresso e a celebridade apoiadora da causa estão fazendo um lobby. Quando todos se derem conta disso, perceberão que isso nada mais é do que influenciar. E essa percepção irá se dissipar”, enfatisa o autor.

Segundo Aron, o lobby digital democratiza o processo de discussão acerca de políticas públicas, no entanto, tem o potencial de trazer consigo efeitos colaterais não desejados.

“Ele é pode ser mais raso e tenho receio do impacto da desinformação e da disseminação de falsidades nas mídias sociais para avançar uma proposta”, alerta.

Por outro lado, o autor ressalta no livro que o lobby digital abre portas para qualquer um fazer lobby, seja via uma plataforma como a da AVAAZ, via um post nas redes sociais de um deputado ou apoiando uma causa. “Falo de um caso em que alguém iniciou uma petição na AVAAZ que redirecionou o debate numa agência reguladora”, antecipa.

Ficha técnica

Título: Lobby Digital – Como o cidadão conectado influencia as decisões do governo e das empresas
Autor: Renard Aron
Páginas: 248
Como comprar: Amazon

Sobre o autor

Renard Aron é consultor, autor e palestrante. Tem mais de 25 anos de experiência profissional em relações com governo, cidadania corporativa e public affairs no Brasil e nos EUA, tendo trabalhado para grandes multinacionais e entidades de classe. É fundador da PolicyZone, consultoria que ajuda organizações a se prepararem para um ambiente de discussão de políticas públicas mais aberto, participativo e digital. É autor do livro Lobby Digital – Como o Cidadão Conectado Influencia Decisões de Governo e Empresas, lançado pela Aberje. Até março de 2018, foi vice-presidente da área de relações com governo e policy para a América Latina da Johnson & Johnson.

Sobre a Aberje

A Associação Brasileira de Comunicação Empresarial é uma organização profissional e científica sem fins lucrativos e apartidária. Tem como principal objetivo fortalecer o papel da comunicação nas empresas e instituições, oferecer formação e desenvolvimento de carreira aos profissionais da área, além de produzir e disseminar conhecimentos em comunicação. A atuação da Aberje ultrapassa os limites do território brasileiro com participações ou presença nos boards de instituições internacionais como a Fundacom, Global Alliance for PR and Communication Management e Arthur W. Page Society, posicionando-se como um think tank da Comunicação Empresarial Brasileira.

Fonte: Adriano Orlonani, Amanda Cássia e Eric Fujita –  Ortolani Comunicação & Marketing | (GC)

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