Tendências de consumo pós-covid-19 | By Sandra Martinelli

Grandes crises trazem grandes transformações. Do ponto de vista social, as privações vividas em momentos difíceis geram novas reflexões, mudanças de hábitos e comportamentos. Sob a ótica econômica, a necessidade de inovação como forma de sobrevivência e superação dá margem à criação de novos modelos de negócio, assim como ao desenvolvimento de novas tecnologias. São resultados perenes, que impulsionam mudanças e evolução em todas as esferas da sociedade.

É exatamente o que se pode esperar do mundo pós covid-19, começando pelas consequências do isolamento social, que trouxe novos hábitos aos consumidores, e exigiu das empresas aceleração sem precedentes da transformação digital. As vendas no e-commerce, que cresceram mais de 100% em algumas verticais no período de quarentena, tendem a seguir aumentando, porém, com a inclusão de itens de alimentos e bebidas, segundo pesquisas de E-commerce Brasil.  Passando pelo aumento da oferta online (já que muitas empresas se viram obrigadas a digitalizar seus negócios) e pela descoberta da comodidade deste canal por muitos consumidores.

Nesse sentido, vale considerar uma pesquisa realizada pela FSB Comunicação, parceira estratégica da ABA, sobre “Tendências de Consumo Pós-Covid-19”. De acordo com o levantamento, o brasileiro segue cauteloso em relação aos gastos. Dos entrevistados, 43% disseram que não costumavam fazer compras pela internet antes da pandemia e ainda não pretendem fazer – no entanto, quem mais aderiu a essa modalidade durante a quarentena foram as mulheres mais jovens (9%).

Reforçando a comodidade como fator de decisão de compra e ainda de acordo com a FSB Comunicação, a busca por delivery de alimentos cresceu 13%, seguido por eletrodomésticos e eletroeletrônicos (2%) e roupas e calçados (3%). Em relação ao consumo de produtos durante o isolamento social, o brasileiro continua dando preferência para limpeza (66%), produtos de higiene pessoal (52%) e alimentos (48%). Apesar disso, o público nunca esteve tão atento ao posicionamento das marcas.

Na visão dos anunciantes, o uso da Inteligência Artificial para automatizar processos está entre as dez tendências de consumo para este ano. Com ela, as marcas podem oferecer conveniência e conforto aos consumidores. Isso se tornou mais evidente com a pandemia do Coronavírus, em que empresas com processos automatizados destacaram-se por atender melhor os clientes. Esses recursos englobam suporte a novos consumidores, ferramentas personalizadas de engajamento e até soluções de atendimento e pós-venda. 

Em artigo sobre as grandes questões de marketing apontadas no Lions Live deste ano, publicado pela WFA (World Federation of Advertisers), da qual a ABA é filiada e integra o conselho executivo, uma comparação com cerca de 5.000 participantes e vencedores de prêmios em 2011 a 2019 evidenciou um princípio fundamental na comunicação: a eficácia do marketing é fortemente influenciada pelo “compromisso criativo” de uma campanha, uma medida composta do orçamento de mídia, duração e número de canais de mídia aplicados.

Segundo o cofundador do “Projeto Todos” e defensor dos Objetos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, Richard Curtis, profissionais de marketing e anunciantes sempre estiveram na linha de frente da mudança de comportamento.


“Então parece que estamos juntos, ativistas e depois anunciantes como ativistas para alcançar coisas realmente grandes”, disse Curtis à WFA.

Face às aceleradas transformações comportamentais e adoção de novas tecnologias que a atual crise provocou, a necessidade de estar onde o consumidor está, entregar aquilo que ele precisa e garantir a sobrevivência levanta um questionamento: qual limite para gerar conexão, compartilhar o propósito e levar a melhor experiência ao consumidor?

sandra_martinelli

Sandra Martinelli, presidente-executiva da ABA (Associação Brasileira de Anunciantes), é brasileira, mineira de Poços de Caldas, casada com Maurício Luperi e tem uma filha. Possui mais de 30 anos de experiência na área de marketing; MBA pela Dom Cabral; pós-graduação em Propaganda e Marketing pela ESPM; e graduação em Comunicação Social, com habilitação em PR. Desde setembro de 2014 está presidente executiva da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA). Foi diretora de atendimento da Ogilvy PR, diretora de marketing do Unibanco, Head de Marketing Integrado do Santander e diretora de estratégias de Ativação da Grey. Há cinco anos Integra o Executive Committee da WFA – World Federation of Advertisers. Seus prêmios mais recentes são Hall of the fame de Marketing;Prêmio Marketing Citizen pela Academia Brasileira de Marketing; WFA President’s Awards; Dirigente de Marketing do Ano, pelo LIDE; e Homenagem da Associação Brasileira de Marketing & Negócios.

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