Distância recorde dos Estados Unidos em relação às demais nações participantes do Cannes Lions 2019

Um balanço geral das premiações do Cannes Lions 2019 leva à evidente constatação de que a distância da dimensão econômica e da qualidade da publicidade americana é cada vez maior em relação ao restante do mundo.

Em termos de inscrições, os Estados Unidos compareceram este ano com 8.138 competidores, 26,3% do total dos 89 países concorrentes, sendo seguido pelo Reino Unido, com 2.268 (7,3%), e Brasil, com 2.093 (6,8%). Todos entraram com menos peças, campanhas e casos em 2019 do que em 2018, tendência geral dos 10 mais, com exceção da Índia e China, que subiram um pouco.

A relevância desse grupo que sucede aos três maiores competidores é muito menor, porém, individualmente, com a França, em 4º lugar, com apenas 4,3% (1.345) e o Canadá, 10º lugar, com 2,9% (904 trabalhos).

Vale lembrar que no cômputo geral de concorrentes do 66º Cannes Lions, os 30.953 de 2019 são 28% a menos que seu melhor ano, 2016, quando chegaram ao recorde de 43.101. Os países que mais inscreveram, como visto acima, também seguem a tendência de baixa, com o Reino Unido inscrevendo 29% a menos que seu melhor ano, 2016, e o Brasil 27% a menos que em 2014 (nossos problemas começaram antes…). Nessa tendência de queda, os Estados Unidos caíram menos e estão apenas 16% abaixo de seu máximo, que também foi em 2016 – o que já começa a explicar o aumento de sua relevância para o festival.

Analisando os principais prêmios concedidos nas 27 categorias divididas em 9 tracks, os festejados Grand Prix, os Estados Unidos ficaram com 16, contra 13 de todos os demais países,  para Brasil e Suécia, 2; e  para Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Polônia, Austrália, Israel, China, França, Canadá e Alemanha, 1 cada um.

Se o foco for sobre os dois tracks mais importantes em termos de volume e qualidade de trabalho, Communication e Craft, e onde os recursos aplicados na produção das peças e campanhas é bem superior, a distância do Estados Unidos em termos de inscrições e Leões conquistados em relação aos demais países é ainda maior.

Em Communication, os americanos ficaram com 7 dos 8 GPs concedidos; e em Craft, com 2 dos 3. Nesses tracks estão as categorias com os trabalhos mais exuberantes, como Film, Film Craft e Titanium.

No track ainda pequeno, de Impact, mas onde são premiados os casos mais eficazes, com os Creative Effectiveness Lions, ainda se mantém um certo equilíbrio do Estados Unidos com o Reino Unido. Em todos os outros tracks acima destacados, porém, a dianteira americana é enorme, inclusive em relação aos britânicos.

Destaques por performance

Os principais destaques por performance do Cannes Lions de 2019 foram definidos em função da soma de pontos pelos prêmios conquistados no decorrer do festival.

Inaugural, o prêmio de Creative Brand of the Year ficou com o Burger King.

A Holding Company of the Year foi a Omnicom, pelo segundo ano consecutivo e após um ciclo de sete conquistas pela WPP.

O Network of the Year Award foi, pela primeira vez, entregue à McCann. O Media Network of the Year ficou com a Mindshare, que também nunca havia ganho.

Já os prêmios de Agency of the Year e de Independent Agency of the Year ficaram com a Wieden & Kennedy Portland, a primeira agência a ficar com essa duplicidade no mesmo festival.

A Palme d’Or de melhor produtora foi conquistada pela Park Pictures US, outra empresa que jamais havia recebido essa honraria.

Os prêmios de Healthcare Network of the Year e de Healthcare Agency of the Year ficaram ambos com a McCann Health, também pioneira em levar os dois destaques para casa no mesmo certame.

O Grand Prix for Good foi conquistado pelo caso “Generation Lockdown”, da McCann para March for Our Lives.

Homenagens de 2019

As homenagens do Cannes Lions 2019, que são previamente definidas, mas entregues nas cerimônias de premiação durante o festival, foram para a Media Person of the Year, Jeffery Katzenberg, fundador e chairman da Quibi, uma plataforma de mídia mobile, e que foi presidente e chairman, respectivamente, da Paramount Studios e da Walt Disney Studios.

O Creative Marketer of the Year ficou com a Apple.

Jeff Goodby e Rich Silverstein, fundadores da Goodby Silverstein & Partners, receberam o Lion of St. Mark deste ano.

O Cannes LionHeart Award foi entregue para Phumzile Mlambo-Ngcuka, sub-secretária geral da ONU e diretora executiva da UN Women.

Finalmente, a Entertainment Person of the Year foi Lorne Michaels, produtor multi-premiado pelo Emmy e criador, entre outros sucessos, do histórico Saturday Night Live, que deste 1975 está no ar, pela NBC.

Rafael Sampaio (rafael@about.com.br) é consultor e palestrante. Autor de Propaganda de A a Z e co-autor de Planejamento de Marketing – Conhecer, Decidir e Agir.

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