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Uma proposta feliz

By Luiz Gonzaga Bertelli

Em recente entrevista, o novo ministro da Educação José Mendonça Bezerra Filho propõe, ao lado de medidas polêmicas, algumas soluções para antigos problemas, cujo diagnóstico, à luz dos péssimos resultados até agora obtidos, conquistaram a quase unanimidade de especialistas, pais, educadores e brasileiros preocupados com os rumos do País. Nessa lista, deve ser incluído o mercado de trabalho. Afinal, mais cedo ou mais tarde, alunos e ex-alunos acabam buscando uma ocupação e, desde o primeiro momento (por exemplo, nos processos seletivos para estágio), se defrontam com as dificuldades geradas pela precária formação recebida nas salas de aula.

Milhões de jovens – comprovam inúmeras avaliações – saem dos bancos escolares sem saber ler, escrever ou realizar simples cálculos aritméticos. Portanto eles estão aptos, na melhor das hipóteses, a ocupar cargos que exigem menor qualificação e, consequentemente, estão na parte baixa da escala salarial. Se desejar melhor remuneração e avançar na carreira, a maioria precisa investir tempo e dinheiro em cursos e treinamentos que lhes forneçam os conhecimentos que deveriam deter ao concluir o ensino médio ou mesmo o ciclo fundamental.

Uma das decisões mais felizes do ministro e equipe de especialistas que o cercam foi a de retirar o ensino médio da discussão sobre a nova proposta do currículo nacional. A razão, muito bem-vinda: não faria sentido definir o que o estudante deve aprender no nível médio se o objetivo é mudar o modelo vigente, segundo palavras de Mendonça Filho. A ideia, ainda em fase de formulação, é tornar essa etapa do ensino mais flexível, com uma base comum inicial, seguida da possibilidade de escolha por diferentes caminhos, optando pela grade tradicional de matérias ou pelo ensino técnico.

Ótima proposta, a aguardar os desdobramentos e, como sonhar não custa, esperar que os principais atores envolvidos nesse projeto privilegiem uma visão maior, deixando de lado interesses meramente pessoais, corporativos, ideológicos e outras razões menores. Porque, no final das contas, o que está em jogo mesmo é o futuro de milhões de jovens e do próprio País, que só irão para frente se contarem com educação de qualidade.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE

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